El Niño: como o fenômeno pode afetar o Rio Grande do Sul?
El Niño pode causar chuvas elevadas em 2026
Foto: NOAA
O fenômeno El Niño-Oscilação Sul segue como um dos principais moduladores do clima global e pode voltar a influenciar o Brasil ao longo de 2026, segundo análises recentes. O sistema é composto por três fases — El Niño, La Niña e neutralidade — definidas pelas variações na temperatura das águas do Oceano Pacífico e na circulação atmosférica.
No Rio Grande do Sul, o ENOS tem impacto direto ao intensificar o transporte de umidade da região amazônica, o que favorece a formação de sistemas de baixa pressão e a ocorrência de tempestades e inundações.
De acordo com o Centro de Previsão Climática, ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, previsões divulgadas em 20 de abril indicam aumento da probabilidade de formação do El Niño ao longo de 2026. Atualmente, a região do Pacífico equatorial conhecida como Niño 3.4 permanece em condição de neutralidade, após o enfraquecimento da La Niña, mas apresenta aquecimento gradual.
As projeções apontam cerca de 80% de chance de manutenção da neutralidade até o fim do primeiro semestre. A partir do trimestre maio–junho–julho, a probabilidade de formação do El Niño supera 60%, podendo ultrapassar 90% no segundo semestre.
Segundo análise do Instituto Nacional de Meteorologia, o Rio Grande do Sul possui clima subtropical úmido, com chuvas distribuídas ao longo do ano, mas sujeito a variações causadas por padrões de grande escala como o ENOS. “Essa regularidade pode ser alterada por padrões de grande escala, como o ENOS”, aponta a análise, ao destacar que o fenômeno intensifica o transporte de umidade e favorece eventos de chuva acima da média.
Estudos baseados em eventos de El Niño forte entre 1961 e 2019 indicam um padrão de anomalias de precipitação no Brasil, com redução de chuvas nas regiões Norte e Nordeste e aumento na Região Sul, além de áreas do Centro-Oeste e Sudeste. No território gaúcho, os volumes tendem a ficar acima da média na maior parte dos trimestres analisados, com exceção de áreas do extremo sul em períodos específicos.

Figura 1: Composições de anomalias de precipitação no Brasil durante eventos de El Niño forte, entre os anos de 1961 e 2019, nos trimestres de (a) MJJ, (b) JJA, (c) JAS, (d) ASO, (e) SON e (f) NDJ. Os desvios foram calculados considerando a média climatológica de 1981-2010.
Eventos recentes reforçam esse padrão. As chuvas extremas registradas no estado em abril e maio de 2024 ocorreram durante a fase final de um El Niño forte, associada à intensificação do jato subtropical e à atuação de frentes frias estacionárias. A magnitude do evento também foi influenciada por fatores adicionais, como o aquecimento do Atlântico tropical sul e bloqueios atmosféricos que mantiveram a instabilidade.
Para o trimestre maio–junho–julho de 2026, o Inmet indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Rio Grande do Sul, com temperaturas próximas aos padrões históricos. Apesar da ausência de sinal claro de extremos no curto prazo, a possível evolução para El Niño ao longo do ano mantém a necessidade de acompanhamento.
A análise conclui que o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas é fundamental. “A possível volta do El Niño em 2026 reforça a necessidade de acompanhamento contínuo”, destaca o estudo, ao apontar que a interação entre o Pacífico e o Atlântico pode intensificar impactos e exigir ações de prevenção.